Vida Literária II
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FERNANDO PESSOA

 

Cancioneiro, de Fernando Pessoa


“Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho. Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa — eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.”


Leia o texto na íntegra

 



Escrito por marciliomedeiros �s 20:25
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CHARLES BAUDELAIRE

 

Charles-Pierre Baudelaire (1821 - 1867)

"Fundamentando os escritos de Baudelaire está a antiga ideia de que o conhecimento é culpa. Sua alma é aquela de Adão, para quem Eva (o mundo) uma vez ofereceu a maçã, da qual ele comeu. Desde então, o espírito o baniu do jardim [do Éden]. Saber sobre o mundo não havia sido o suficiente para ele; ele queria conhecer também sobre seus lados bons e maus."

Trecho de
The writer of modern life: essays on Charles Baudelaire (O escritor da vida moderna: ensaios sobre Charles Baudelaire), de Walter Benjamin

 

Trechos do livro Baudelaire, de Jean-Paul Sartre (versão em inglês)

Revista eletrônica especializada em Baudelaire

Biografia (em francês)

Biografia (em inglês)

 

Obras



Multimídia


Fonte: Boletim PNLL nº 175

 

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 20:56
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WILLIAM SHAKESPEARE

 

Júlio César, de William Shakespeare


"FLÁVIO - Fora daqui, mandriões! Hoje é feriado? Já todos para casa! Sendo artífices, não podeis ignorar que não devíeis sair à rua em dia de trabalho sem trazerdes os símbolos do ofício. Que profissão é a tua? Vamos, dize.
PRIMEIRO CIDADÃO - Carpinteiro, senhor; carpinteiro.
MARULO - E tua régua, onde está? Onde puseste teu avental de Couro? Por que causa vestiste hoje esse traje domingueiro? E o vosso ofício, amigo?
SEGUNDO CIDADÃO - Para dizer a verdade, senhor em relação a um trabalhador de classe, não passo, como diríeis, de um remendão."


Leia o texto na íntegra

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 19:29
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MACHADO DE ASSIS

 

Histórias da Meia-Noite, de Machado de Assis


 

"Há cerca de dezesseis anos, desembarcaram no Rio de Janeiro, vindo da Europa, o Sr. Camilo Seabra, goiano de nascimento, que ali fora estudar medicina e voltava agora com o diploma na algibeira e umas saudade no coração. Voltava de uma ausência de oito anos, tendo visto e admirado as principais coisas que um homem pode ver e admirar por lá, quando não lhe falta gosto nem meios. Ambas as coisas possuía, e se tivesse também, não digo muito, mas um pouco mais de juízo, houvera gozado melhor do que gozou, e com justiça poderia dizer que vivera."
Leia o texto na íntegra

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 19:25
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HERMAN MELVILLE

 

Herman Melville (1819-1891)


"Dizem os estudiosos da obra de Melville que ao escrever essa aventura no mar a intenção do autor foi pôr em símbolos o eterno conflito entre o homem e o seu destino, - a baleia representando o mal infinito do universo e Acab a vontade do homem que se opõe a essas forças. Será talvez assim. Mas acontece entretanto que Moby Dick tem a par disso uma grandeza própria, que não carece de símbolos para se impor - antes transcende de qualquer alegoria e atinge uma espécie de realidade "pessoal": - na sua impediosa ferocidade ela é uma coisa em si".

Rachel de Queiroz, prefácio à tradução de Moby Dick feita por Berenice Xavier

 

The Melville Society

The Life and Works of Herman Melville


Obras

 

Multimídia

  • Trecho da adaptação cinematográfica de Moby Dick feita em 1956 por John Huston

  • Trecho da leitura de Moby Dick feita por Orson Welles para a RAI

  • Trecho de Billy Budd, opera de Benjamin Britten baseada no conto de Melville

  • Trailer da adaptação cinematográfica de Billy Budd feita por Peter Ustinov em 1962

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 20:29
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AUGUSTO DOS ANJOS


Outras Poesias, de Augusto dos Anjos


Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos,
O choro da Energia abandonada!
É a dor da Força desaproveitada,
- O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!
É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...
E é, em suma, o subconsciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!


Leia o texto na íntegra

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 22:52
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JUAN RULFO

 

Juan Rulfo (1917 - 1986)

"Aquella noche no pude dormir mientras no terminé la segunda lectura; nunca, desde la noche tremenda en que leí "La metamorfosis" de Kafka, en una lúgubre pensión de estudiantes de Bogotá, casi 10 años atrás, había sufrido una conmoción semejante. Al día siguiente leí El llano en llamas y el asombro permaneció intacto; mucho después, en la antesala de un consultorio, encontré una revista médica con otra obra maestra desbalagada: La herencia de Matilde Arcángel; el resto de aquel año no pude leer a ningún otro autor, porque todos me parecían menores."
Trecho de Asombro por Juan Rulfo, de Gabriel García Márquez.

 

 

Obras

 

Multimídia

  • Entrevista de Juan Rulfo para o programa A Fondo, da Radiotelevisión Española (1977)

  • Juan Rulfo lê o seu conto No oyes ladrar los perros

  • Juan Rulfo lê trecho de Pedro Páramo

  • Trailer de Purgatório, filme baseado em contos de Juan Rulfo

  • Trecho do filme Pedro Páramo, de Carlos Velo (1967)

  • Entrevista para a televisão espanhola após receber o Príncipe de Astúrias (1983)

  • Trabalho fotográfico de Juan Rulfo

 

Fonte: Boletim PNLL nº 173

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 12:06
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ANNE SEXTON

A VICIADA

 

 Anne Sexton

 

Patroa da morte,

patroa do sono,

com cápsulas na mão toda noite.

Oito por vez, de doces vidros farmacêuticos.

Faço os preparativos para uma jornada de miligramas.

Sou a rainha dessa condição.

Sou uma mulher viajada.

E agora me chamam de viciada.

Agora me perguntam por quê.

Quê?

 

Não sabem que eu prometi morrer!

Estou praticando.

Só mantendo a forma.

As pílulas são uma mãe, melhorada,

de todas as cores e bom como bala azedinha.

Estou fazendo a dieta da morte.

 

Sim, admito.

Tornou-se um certo hábito.

Oito por vez, no olho,

enlevada pelo rosa, o laranja,

o verde e o boa-noite branco.

Estou virando meio combinação

química.

É isso!

 

Meu estoque

de comprimidos

tem que durar anos e anos.

Gosto mais deles que de mim.

Teimosos do inferno, não me deixam.

É tipo um casamento.

Tipo uma guerra e eu jogo bombas pra dentro

de mim.

 

Sim

eu tento

me matar em pequenas porções,

ocupação inócua.

Na verdade, estou amarrada nela.

Mas lembre que eu não faço barulho demais.

E, francamente, ninguém precisa me arrastar,

não fico por aí enrolada nos lençóis.

Sou um docinho na minha camisolinha amarela.

Engolindo minhas oito porções de uma vez,

e na ordem como

se postasse as mãos

ou no sacramento negro.

 

É uma cerimônia

mas, como em qualquer esporte,

cheia de regras.

É como um jogo de tênis com música

e a minha boca sempre pega a bola.

Depois eu jazo no meu altar

elevada pelos oito beijos químicos.

 

E que alívio é isso:

dois rosa, dois laranja,

dois verdes e dois boa-noites brancos.

Fuein-fuein-fuein-fuein-fuein.

Agora bateu.

Agora eu chumbei.

 

Tradução de Lavínia



Escrito por marciliodemedeiros �s 22:35
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RICARDO REIS

 

Poemas de Ricardo Reis, de Fernando Pessoa


"Antes de nós
Antes de nós nos mesmos arvoredos
Passou o vento, quando havia vento,
E as folhas não falavam
De outro modo do que hoje.

Passamos e agitamo-nos debalde.
Não fazemos mais ruído no que existe
Do que as folhas das árvores
Ou os passos do vento."
Leia no texto na íntegra

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 12:02
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ANTONIO LOBO ANTUNES

 

António Lobo Antunes


"Desde que me conheço é aquilo que faço. Às vezes tenho saudade da medicina, que deixei me 85. Àquela altura tinha a sensaço de utilidade imediata: era muito agradável ver as pessoas melhorando e ficarem boas. Acho que há motivos que levam uma pessoa a escrever que não são conscientes, mas acho que há uma parte que tem função de cartase, como fator equilibrante. Podíamos modificar a Bíblia e em vez de dizer "no pricípio era o Verbo" [João 1,1] dizer "ao princípio era a depressão" porque, no fundo, nossa vida é a forma que você encontra para lutar contra a depressão. Viver, talvez, não seja mais que isso"
Depoimento de Lobo Antunes recolhido no livro
Por que escrevo?

 


Obras

  • Trechos de Boa tarde às coisas aqui em baixo

  • Trechos de Memória de elefante

  • Trechos de Os Cus de Judas

  • Trechos de Eu hei-de amar uma pedra

  • Trechos de Ontem não te vi em Babilónia

 

Multimídia

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 21:17
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JANE AUSTEN

 

Jane Austen (1775 - 1817)


"Talvez, romancista algum, em língua inglesa, supere Jane Austen [...] É inteligente demais para ignorar que grande parte da realidade social não escaparia ilesa de um exame minucioso, mas, para ela, a ordem social é um fato, um dado a ser aceito, algo que lhe possibilite contar suas histórias [...] Jane Austen faleceu aos quarenta e um anos, em 1817, em decorrência de uma enfermidade que se arrastou durante um ano. Tivesse ela vivido mais, sem dúvida, teria escrito vários outros romances tão esplêndidos quanto Emma e Persuasão, frutos dos últimos anos de vida da autora."
Harold Blomm em
Como e por que Ler


 

Guia de lugares reais e imaginários encontrados nos romances de Austen

 

Obras


Multimídia

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 22:57
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HOMERO

 

Homero
 
The Homer Homepage - seleção de
websites sobre Homero, suas obras e estudos críticos

Mapas  da Ilíada

 

Obras

 

Multimídia

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 19:45
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GOETHE

 

Johann Wolfgang von Goethe (1749 - 1832)

"Poetas não podem calar-se,
Querem às turbas mostrar-se.
Há de haver louvores, censuras!
Quem vai confessar-se em prosa?
Mas abrimo-nos sob rosa
No calmo bosque das musas.
 
Quanto errei, quanto vivi,
Quanto aspirei e sofri,
Só flores num ramo - aí estão;
E a velhice e a juventude,
E o erro e a virtude
Ficam bem numa canção."
Poema Aos leitores Amigos, de Goethe

 

 

Obras

 

Multimídia

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 00:32
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ARIANO SUASSUNA

 

Ariano Suassuna
 
"Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.
 
Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.
 
E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,
 
o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera."
Poema
O Mundo do Sertão 

 

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·                                 Entrevista

 

Obras

·                                 Auto da compadecida (trechos)

·                                 A pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta (trechos)

·                                 O santo e a porca (trechos)

·                                 Poesias

·                                 Noturno 

 

Multimídia

·                                 Entrevista no Programa do Jô

·                                 Entrevista para o Jornal da Globo, abril de 2007

·                                 Trecho da adaptação para a televisão do Auto da Compadecida

·                                 Trecho da adaptação para a televisão de A Pedra do Reino

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 18:27
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QORPO SANTO

 

Certa Entidade em Busca de Outra, de Qorpo Santo


"Quem diabo está nesta casa!? (muito admirado.) Por um dos reposteiros vi aqui a Satanás com olhos adiante e pernas atrás! Depois vi Judas Iscariotes, que andava a trotes! Por uma janela, a Micaela abrindo a boca de gamela! Mas o meu rapaz, o meu Ferrabrás; o meu contimpina, que de dia dorme, e de noite maquina! Oh! Esse, nem por sombras me quer aparecer, ou eu pude ver! Bárbaros! Assassinos! Traidores! Que tudo me roubam! Comem como burros; como cavalos; e depois querem que eu trabalhe para sustentá-los! Infames! Poluem a honra das famílias! Divorciam esposos para massacrá-los, e a seu gosto fruirem seus bens! Escravizam em vez de libertarem... Hei de lançar por terra tão indigno governo! Ou hão de os governantes e governados terem direitos e deveres, ou nenhum governo durará no poder mais que treze meses! "


Leia o texto na íntegra

 



Escrito por marciliodemedeiros �s 22:34
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